quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Mafra

A apenas 15 minutos de carro da nossa porta, não havia razão para adiar mais uma visita há tanto planeada.

O Palácio e Convento de Mafra é um monumento impressionante, desde logo pelo seu tamanho. Foi construído na época para  albergar uma população de mais de 300 frades, um hospital, farmácia e biblioteca. Num piso superior ficaram os aposentos da familia real e da sua corte, em duas torres separadas entre si por um corredor de cerca de 230m, e no meio, a monumental igreja que possui os famosos carrilhões com cerca de 90 sinos, com os quais ainda hoje se realizam espectaculares concertos .

A minha formação inicial é de guia intérprete, e apesar de ser uma profissão que não exerço há mais de 20 anos não resisto a "massacrar" quem me acompanha neste tipo de visitas, com factos e curiosidades históricas que me parecem interessantes. E as minhas "vítimas" de eleição são os meus filhos, evidentemente.
Mas com as crianças não podemos ser muito exaustivos, pois corremos o risco de perder a sua atenção. Tento sempre portanto refrear o meu conhecimento e procurar referências que os possam interessar.

Ora em Mafra passava longas temporadas o rei D. Carlos, que dá o nome à escola onde os rapazes estudam. Reparei que já são capazes de o reconhecer nas fotografias e que conhecem alguns factos da sua personalidade, como o seu gosto pela caça e pelo desenho. E sabem que foi assassinado em Lisboa pelos republicanos. Este rei é quase um velho conhecido.
Na visita à magnífica biblioteca, já foram os meus filhos  que me explicaram que aqueles livros quase todos foram escritos à mão pelos frades!  Nessa mesma biblioteca vive uma colónia de morcegos que comem os bichos do papel, ajudando a preservar as obras, explicou-nos a funcionária. Ficámos divertidos a imaginar  os mesmos morcegos a esvoaçar por entre o público dos concertos que por vezes aí se realizam.
Expliquei-lhes ainda que quase toda aquela pedra lindíssima, que cobre chão, paredes e mesmo abóbadas, é mármore, proveniente das pedreiras da região, pelas quais tínhamos passado minutos antes.

Foi uma hora e pouco de visita, com muita conversa, sempre sobre assuntos relacionados com o que viamos.
"- Afinal até foi giro, e o tempo passou depressa."
"- Mas doiem-me um bocado as pernas..."

3 comentários:

  1. Ah, eu não me importaria em ser sua "vítima". Adoro ouvir histórias dos lugares!!!!
    Ótima semana!

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  2. Portugal tem muitos locais mágicos e cheios de história!

    Convido-a a visitar o meu cantinho:
    www.trapinhartes.blogspot.com

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  3. e eu gostei da visita guiada porque apesar de conhecer Mafra não conhecia essas histórias do Convento.

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