segunda-feira, 2 de maio de 2016

Ver

Quando ainda há  poucos  meses, antes de ser operada às  cataratas,  me chamavam  a atenção  para determinado  pormenor numa paisagem,  um edifício,  ou um riacho por entre umas montanhas, eu talvez por vergonha,  ou  mesmo falta  de paciência, dizia sempre  que  sim,  que  estava a ver perfeitamente.  Mas não  via patavina e cedo me desmotivava.  E achava mesmo que as outras pessoas estavam a exagerar, não podia ser nada assim tão  interessante.
Agora  consigo fazer um viagem de avião do Porto para Lisboa, se não  vier a trabalhar, a olhar pela  janela,  a procurar pontos de referência, a procurar a minha serra  e a minha casa. E consigo vê-las perfeitamente!
Não  sei  explicar  a diferença, nem a enorme  satisfação que sinto. É  como se fosse tudo novo, mais interessante. Na semana passada ao sobrevoar o continente africano consegui ver perfeitamente um rio lá  em baixo  e fiquei  absolutamente deslumbrada, pois   dantes via apenas manchas de cores .
Por vezes lamentamos  algo que perdemos, e só  nessa altura nos  apercebemos  do seu  devido valor.
No meu caso tenho a felicidade de  me ter acontecido exactamente o contrário, e  todos  os dias valorizo e agradeço, este sentido readquirido! 
(Até   me consigo aperceber da fraca qualidade das  fotos em relação  à  realidade, o que não  acontecia ;)

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