Quando ainda há poucos meses, antes de ser operada às cataratas, me chamavam a atenção para determinado pormenor numa paisagem, um edifício, ou um riacho por entre umas montanhas, eu talvez por vergonha, ou mesmo falta de paciência, dizia sempre que sim, que estava a ver perfeitamente. Mas não via patavina e cedo me desmotivava. E achava mesmo que as outras pessoas estavam a exagerar, não podia ser nada assim tão interessante.
Agora consigo fazer um viagem de avião do Porto para Lisboa, se não vier a trabalhar, a olhar pela janela, a procurar pontos de referência, a procurar a minha serra e a minha casa. E consigo vê-las perfeitamente!
Não sei explicar a diferença, nem a enorme satisfação que sinto. É como se fosse tudo novo, mais interessante. Na semana passada ao sobrevoar o continente africano consegui ver perfeitamente um rio lá em baixo e fiquei absolutamente deslumbrada, pois dantes via apenas manchas de cores .
Por vezes lamentamos algo que perdemos, e só nessa altura nos apercebemos do seu devido valor.
No meu caso tenho a felicidade de me ter acontecido exactamente o contrário, e todos os dias valorizo e agradeço, este sentido readquirido!
(Até me consigo aperceber da fraca qualidade das fotos em relação à realidade, o que não acontecia ;)
segunda-feira, 2 de maio de 2016
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